MTur divulga balanço de ações em defesa de crianças e adolescentes
Mobilização contemplou 2 mil pessoas de 22 capitais
do país
Deborah de Salles
A
rede de enfrentamento da exploração sexual de crianças
e adolescentes no Brasil está mais forte. Em 2014, uma série
de ações presenciais de ampla repercussão foi a
principal ferramenta do Ministério do Turismo para sensibilizar
gestores públicos e privados, representantes de
organizações do setor e o empresariado da indústria de
viagens e turismo sobre o tema. A jornada de palestras divulgou
estratégias de prevenção, mecanismos de reconhecimento
e formas de enfrentar este tipo de crime no país. Profissionais
especializados no assunto visitaram 22 capitais brasileiras e mobilizaram
mais de duas mil pessoas em prol dos direitos de crianças e
adolescentes.
Os
encontros também renderam experiências pioneiras, como a
primeira visita do projeto do MTur a uma comunidade no entorno do Distrito
Federal, o Vale do Amanhecer, que recebe anualmente um intenso fluxo de
turistas - o que motivou o grande interesse dos moradores em multiplicar as
orientações que receberam. “Foi uma oportunidade de
conhecer a realidade local e ampliar o alcance do programa. No ano que vem,
pretendemos nos aproximar mais das pessoas que estão diretamente
envolvidas com o turismo, sempre fortalecendo a rede de
proteção.”, afirmou o coordenador-geral de
Proteção à Infância do Ministério do
Turismo, Adelino Neto.
Importante ressaltar também que, ao término das
palestras, os participantes tiveram a oportunidade de debater o tema com os
expositores, tirando dúvidas, dando sugestões e assumindo um
compromisso na luta contra a violação dos direitos das
crianças e adolescentes no contexto do turismo. É o caso de
Martha Kruse, Procuradora do Trabalho em Marabá (PA). Ela fez um
apelo para ampliar ações no interior do estado
paraense.
Para
dar visibilidade ao tema, o Ministério do Turismo divulgou um dos
principais canais de denúncia no país, o Disque 100, e a
formação de uma rede de multiplicadores dispostos a atuar
como agentes de proteção às crianças nas
atividades relacionadas ao turismo.
A
qualificação profissional das vítimas de
exploração sexual é outra ação do MTur e
de seus parceiros. O Pronatec Turismo, em parceria com o projeto Vira Vida,
do Serviço Social da Indústria (SESI), oferece cursos
profissionalizantes – como os de garçom, barista e auxiliar de
cozinha – a jovens que sofreram qualquer tipo de violência. De
acordo com Adelino Neto, a ação ainda promove a
inclusão social e a redução da pobreza e das
desigualdades, gerando emprego e renda à
população.
É fundamental reforçar que o governo brasileiro
não usa ou reconhece a expressão “turismo
sexual”. Para o Ministério do Turismo, essa atividade
criminosa não pode ser entendida como um segmento da atividade
turística. Segundo Neto, “os direitos humanos não podem
ser negociados e a criança vitimada não fala, por isso,
é fundamental estar atento e denunciar em qualquer suspeita”.
As ligações recebidas pelo Disque 100 são encaminhadas
para o conselho tutelar e à polícia civil ou militar. Centros
de Apoio Operacional das Promotorias de Infância e Juventude avaliam
e repassam para o acompanhamento às promotorias de
infância.
As
palestras, abertas ao público, contaram com a forte
atuação de profissionais ligados ao turismo - como
representantes da hotelaria, bares, restaurantes e agências de
viagens, além da participação de conselheiros
tutelares, educadores, policiais, agentes de saúde e estudantes.
Entre os colaboradores, destaca-se a atuação da Secretaria de
Direitos Humanos, dos ministérios da Saúde e do
Desenvolvimento Social e Combate à Fome, e da União Marista
do Brasil.
ESTATÍSTICAS - No período de janeiro a julho deste
ano, o Brasil registrou 3060 denúncias de exploração
sexual infantil. Ainda no mesmo período de 2014, o estado de
São Paulo liderou o ranking de denúncias, com 341. Já
Roraima é o estado com menor número, com quatro registros no
primeiro semestre deste ano. Se considerados os últimos quatro anos,
o número sobe para 25.234 registros em todos os estados brasileiros,
segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da
República. Vale ressaltar, no entanto, que o número de
ligações não corresponde ao número de
casos.
APLICATIVO - As denúncias podem ser feitas pelo Disque 100
ou pelo celular, por meio do aplicativo Proteja Brasil, desenvolvido pela
Unicef e o governo brasileiro. Disponível na Apple Store ou na
Google Play, a ferramenta auxilia os usuários a identificar e
denunciar as violações de direitos de crianças e
adolescentes.
TURISMO SUSTENTÁVEL E INFÂNCIA - Desde 2004, o
programa Turismo Sustentável e Infância, do MTur, trabalha em
prol da formação de multiplicadores para ampliar os meios de
denúncia e enfrentamento à exploração sexual
infantil. Também criou e desenvolveu projetos de inclusão
social com capacitação profissional às crianças
vitimadas e liderou a campanha nacional Proteja Brasil, desenvolvida pelo
Governo Federal com intuito de reforçar estratégias para
erradicar a exploração sexual infantil.
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